quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Construção do Número na Educação Infantil

A CONSTRUÇÃO DO NÚMERO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

O trabalho com o número na maioria das escolas infantis baseia-se basicamente no reconhecimento dos algarismos e escritas do mesmo; muitos educadores esquecem da importância da exploração da variedade de idéias matemáticas existentes, referentes a classificação e seriação.
O ser humano desde que nasce está em contato com o número, a começar pela própria idade, onde uma criança pequena sem saber quanto é, mostra com os dedos os anos que tem. Nesta situação, ela não está fazendo a conservação do número, pois ainda não associa número a quantidade, este processo, segundo Kamii (1997, p.26) não ocorre antes dos cinco anos.

Toda criança passa por descobertas, ela precisa mexer, experimentar, tocar para poder assim conhecer o novo. Precisa do concreto para poder estabelecer seus conhecimentos, o qual é obtido naturalmente através do contato com outras pessoas, das interações com o grupo de amigos. É uma construção resultante das ações da criança com o mundo.
A criança da faixa etária entre 2 e 7 anos está estabelecendo a conservação do número, e para isto precisa da relação com materiais concretos, necessita tocar, manusear e experimentar. Se dermos a uma criança cubinhos de madeira, a primeira reação será pegar, virar de um lado para outro, bater um com o outro, e por fim atira-lo longe.
Nesta situação, ela pode reconhecer o objeto, construiu um novo conhecimento, percebeu a singularidade do objeto para agir sobre ele, organizando suas percepções e relações entre formas, peso, tamanho, espessuras.
Uma criança um pouco maior, a qual já fez este tipo de relação parte para um novo conhecimento, o da classificação, a qual já é capaz de perceber semelhanças e diferenças. Um exemplo é o trabalho com os blocos lógicos, o importante é deixá-lo ao alcance da criança para que explore o material. Assim que manteve um bom contato, podemos lançar desafios para que formule hipóteses. O importante é que a criança crie estratégias, ela deverá perceber que existem os grupos das cores, do tamanho, das formas, das espessuras. A próxima etapa é a da seriação, a qual é explorada a construção de série.
O trabalho com a classificação, seriação e quantificação são decorrentes das relações que a criança faz entre os objetos.
Estas atividades iniciais auxiliam a criança a construção do número, a relacionar o numeral à quantidade.
Através da atividade lúdica a criança constrói símbolos.
Elas devem ter a oportunidade de construir as relações matemáticas em vez de simplesmente entrar em contato com o pensamento pronto, formular suas hipóteses a partir de ensaio e erro, para confirmá-las ou refutá-las.Segundo Kamii 1997, pág.28

“... embora a estrutura mental de número esteja bem formada em torno dos cinco para os seis anos, possibilitando à maioria das crianças a conservação do número elementar, ela não está suficientemente estruturada antes dos sete anos e meio de idade para permitir que a criança entenda que todos os números consecutivos estão conectados pela operação de “+ 1”.
A criança está se preparando relacionar quantidade a escrita do número, nos jogos e brincadeiras. Por isso a atividade lúdica, o contato com diferentes materiais é tão importante na Educação Infantil.
As brincadeiras, construções e jogos que fazem espontaneamente com eles, levam as trocas, comparações, descobertas estratégicas. Através dos jogos construirão um pensamento produtivo e raciocínio lógico, bem como terão melhores condições para enfrentarem situações novas e envolver-se com aplicações matemáticas. Com a criança, devemos começar trabalhando com a quantidade, atividades que envolvam a noção do + 1. Só através do concreto ela poderá perceber que dentro do 3 tem o 2, que dentro do 2 tem o 1. Assim que a quantidade estiver bem assimilada pela criança o professor poderá propor jogos intermediários, que trabalhem o número e a quantidade.



Bibliografia:
KAMII, Constance. A Criança e o Número: implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação junto a escolares de 4 a 6 anos. 23ªed. Campinas: Papirus,1997.
SEBER, Maria da Glória. Construção da Inteligência pela Criança: atividades do período pré-operatório. 4ª ed. São Paulo: Scipione, 1995.



O Trabalho Infantil

O TRABALHO  INFANTIL

O Trabalho Infantil tem avançado muito com o tempo, pois há um grande índice de desigualdade social, que com isso, as crianças e adolescentes são obrigados a trabalharem mais cedo, até mesmo, por uma questão de sobrevivência e para poderem completar a renda familiar.
O quadro atual denomina novas formas de desigualdades, observa-se que as crianças pagam com o sacrifício ou anulação da infância, o preço da exclusão social de sua família. As condições de trabalho e educação de crianças e adolescentes são muito precárias. Os números e a porcentagem abordados em pesquisas e estudos sobre o assunto mostram claramente esta precariedade quanto ao desemprego, saúde e educação.
O presente texto refere-se a uma problematização da questão do trabalho infantil e da formação da criança e do adolescente para o trabalho.

TRABALHO INFANTIL:
UM CONTEXTO HISTÓRICO DE DESIGUALDADES SOCIAIS

Dados recentes, divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelam que 250 milhões de crianças entre cinco e catorze anos trabalham em todo o mundo, sendo 120 milhões em período integral. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, no artigo 60 define: “ É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz”. No entanto, o Brasil está entre os países com altos índices de trabalho infantil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 1993, trabalhavam no país 4.547.944 crianças brasileiras de cinco a catorze anos. Destas, 40% se encontravam nas cidades desenvolvendo trabalho tipicamente urbano:
Embora os grandes números de trabalho infantil encontrem-se na Ásia, África e América Latina, os países desenvolvidos não são imunes ao problema. O trabalho infantil não é um fenômeno moderno, mas até recentemente havia uma tendência de sua extinção, especialmente onde vigoravam condições de trabalho humanas resultantes de anos de lutas dos trabalhadores”.
(DIEESE: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos)

Esta informação do DIEESE demonstra que a o trabalho infantil é reflexo das desigualdades sociais. Mesmo que os países desenvolvidos também enfrentem este tipo de problema, este ocorre em menor proporção, mas nem por isso, menos grave.
O fator principal que favorece o crescimento do trabalho infantil no país é a desigualdade social. Desigualdade esta que se espalha por todos os setores sociais: educação, saúde, segurança pública, moradia e outros:
“Não é de se estranharem os problemas de escolarização existentes no país e os ainda altos índices de analfabetismo apesar da expansão dos sistemas de ensino na década de 80. mais de 12% das crianças que não conseguiram permanecer na escola pertencem a famílias com renda familiar per capitã de meio salário mínimo” (FRANCO: 1998,39)


As condições de trabalho e educação de crianças e adolescentes são muito precárias, os números e a porcentagem apresentados em pesquisas sobre o tema, mostram claramente esta precariedade quanto ao desemprego, saúde e educação.
As instituições assistenciais desempenham um papel quase que “demonstrativo” na sociedade em que estão inseridas. Em uma sociedade em que a luta pela sobrevivência fala mais alto, é muito difícil impor regras e implantar programas de aprendizagem. Um país que tem uma desigualdade social tão grande exige que menores jovens e adolescentes tenham a obrigação de trabalhar para seu próprio sustento e de sua família.
No estatuto se tem clareza de que crianças menores de quatorze anos é proibido qualquer trabalho, salvo na “condição de aprendiz” , ou seja, é a brecha da lei, que permite que empresas, clandestinamente, e instituições assistenciais, legalmente, oferecem remunerado trabalho a crianças menores de 14 anos, classificando as atividades de “aprendizado”.
Quando a criança é pobre, a formação dela é restrita e parcial, sendo de 1 a 2 anos ou excluída da escola, pois vem de sua força de trabalho muito cedo, tornando cada vez mais distante de uma possível qualificação pela educação geral ou pela formação profissional.
Uma discussão sobre identidade e trabalho infantil se justifica pelo fato de crianças estarem realizando tarefas e atribuições que cabem à adultos.
Cabe ao trabalhador social criar situações propícias de construção de vínculos e de participação do sujeito na sociedade civil.
Ao compartilhar o sofrimento, a família vai reconstruindo sua identidade, sendo que os agentes sociais e os membros da família, inclusive as crianças, tornam-se sujeitos de um mesmo processo.
As jornadas de trabalho dos trabalhadores domésticos infantis são tão extensas quanto a dos adultos. Em conseqüência, essas crianças e adolescentes, principalmente os que moram na casa dos patrões, não têm um bom desempenho e sucesso escolar seja porque estão cansados demais no final do dia, seja porque têm que trabalhar também durante a noite. Esses jovens que trabalham são privados de vários direitos fundamentais, tais como, o direito ao convívio familiar, ao lazer, à escola.
Está sempre presente o risco de exploração sexual e de violência física ou moral; O fato destes meninos e meninas trabalharem dentro do domicílio de terceiros tornam-nos ainda mais vulneráveis a qualquer tipo de exploração do que outros grupos de trabalhadores infantis. Por não terem tido a chance de estudar durante o período da infância e da adolescência, os trabalhadores domésticos infantis dificilmente têm chance de conseguir uma requalificação profissional quando se tornam adultos.
Crianças e adolescentes com menos de 18 anos que trabalharem como empregados domésticos têm os mesmos direitos que o trabalhador adulto, tais como: assinatura da Carteira de Trabalho, recebimento de salário nunca inferior ao mínimo, repouso semanal remunerado, férias, décimo terceiro salário e demais direitos trabalhistas e previdenciários. Também é proibidos o trabalho noturno e aquele com jornadas longas que dificulte o acesso à escola.
Caso a criança ou adolescente esteja longe dos pais, o Ministério Público do Trabalho poderá representá-lo perante a Justiça do Trabalho, ajuizando, se necessário, reclamação trabalhista. Se for detectada alguma situação em que a criança ou adolescente esteja em risco, como violência ou exploração sexual, o assunto será encaminhado às autoridades competentes.
No Brasil, a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem o trabalho infantil. Infelizmente, entre as leis e a realidade, existem 2,7 milhões de crianças e adolescentes que não estudam porque são submetidos ao trabalho em condições indignas, privados dos direitos elementares de cidadania.
Não podemos tolerar que crianças, para garantir a sobrevivência, sejam obrigadas a trocar a infância e seu pleno desenvolvimento pelo trabalho”.

Diante do que já é conhecido, o trabalho infantil continua, prossegue crescendo apesar de tentativas de combatê-lo. No entanto, dados estatísticos como a relação do alto índice de trabalho infantil estar associado ao índice de desigualdade social deixa evidente que ações isoladas não solucionaram uma questão que é bem mais ampla. O trabalho infantil só diminuirá, após uma crescente redistribuição de renda, em conjunto com outras medidas sociais como: moradia, saúde, educação, etc. Sem atentar é claro, a questão do emprego. Os pais tendo condições de emprego, oportunidades de sair da informalidade e trabalhar com renda fixa já é um fator que favorece com que as crianças possam ficar em casa e na escola.
Como o próprio Marques diz:
“ Aqui não se está discutindo o trabalho familiar, ou seja, aquele que a criança participa junto de seus familiares enquanto momento educativo, cultural e doméstico que não compromete sua vida comunitária, lúdica e escolar; mas discute-se aquele onde há exploração e sobregarga física e mental para o ser criança, negando-lhe processos implícitos para o seu desenvolvimento pessoal e social.”
(MARQUES: 1998,P.151)

Não descartemos a dimensão educativa do trabalho, mas o que não pode continuar é o processo de exploração do trabalho infanto-juvenil, tirando-lhes seus direitos já adquiridos e reconhecidos por lei, em favor de um sistema capitalista que aumenta a cada dia o abismo social não apenas no Brasil, mas no mundo.


REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS

DAYRELL, Juarez Tarcísio. Educação do aluno –trabalhador: uma abordagem alternativa. IN: Educação em Revista. Belo Horizonte, (15): 21-29, jun 1992.

FRANCO, Maria Ciavatta. Pequenos trabalhadores: um retrato de suas contradições e ambigüidades. IN: Trabalho e Educação. Belo Horizonte, n 3, jan/ jul. 1998

MARQUES, Walter Ernesto Ude. Criança trabalhadora, família e identidade: desafios para o mundo atual. IN: Trabalho e Educação. Belo Horizonte, n 3, jan/ jul. 1998

A Tecnologia de Informação intervém na Pedagogia.


 
A importância do uso das tecnologias de informação e comunicação no cotidiano escolar.

A discussão em torno dos rumos que a educação pode tomar é, e deve continuar sendo, um dos focos principais para os educadores. Nesse escopo, além do debate da reformulação da educação como um todo, vem à tona a inserção de novas tecnologias nesse processo.
O que deve ser discutido é a forma correta de utilização da tecnologia e não se ela deve estar presente na vida escolar, sob pena de deixar lacunas na formação do indivíduo, uma vez que, no cotidiano ele está inserido em um meio cada vez mais tecnológico e interagindo com esse meio.
O termo tecnologia é vasto em se tratando de ambientes educacionais, certamente estamos vivenciando o momento da Internet. Um ambiente enorme, poderoso, mas que pode esconder armadilhas perigosas atrás de conteúdos impróprios ou com erros conceituais, além de permitir a disseminação de idéias muitas vezes inadequadas por meio das ferramentas de comunicação disponíveis. A Internet, pelo seu caráter anárquico, sem dono, esconde esses perigos, mas, sem dúvida, representa uma evolução muito grande no acesso à informação e na facilidade de comunicação entre as pessoas. De forma a organizar informações e públicos com afinidades específicas, criaram-se na Internet os portais. Essa parece ser a fórmula mais adequada para a disponibilização da Internet em um ambiente educacional.
Em um projeto desenvolvido adequadamente, a utilização da Internet deve contemplar os conteúdos e a comunicação. No desenvolvimento e seleção de conteúdos, busca-se a criação de um ambiente controlado em que os usuários vão encontrar informações reais para suas pesquisas. É importante também que a utilização da informática agregue características inerentes a essa tecnologia, ou seja, deve-se buscar o desenvolvimento de conteúdos que usem recursos que somente são possíveis por meio de computadores, e não simplesmente a utilização destes como meios de reprodução de conteúdos já disponíveis em outras mídias. Isso é possível pela criação de conteúdos multimídia, como, por exemplo, simuladores, animações e recursos de áudio e vídeo, explorando sempre a possibilidade de interação do usuário com a máquina para levar o aluno a construir hipóteses, testá-las e validar os resultados. Isso sem falar no ganho de qualidade que esses conteúdos podem agregar às aulas expositivas, pois eles podem exprimir situações impossíveis em uma sala de aula convencional.
Como ferramenta de comunicação, a Internet abre um campo de desenvolvimento novo, como capacidade de interação de alunos em diferentes localidades geográficas. Por meio dessa possibilidade, surgem os projetos educacionais colaborativos, que quando conduzidos e incentivados por um moderador, levam os alunos a aprenderem com seus pares. Nesses projetos, que não precisam ser totalmente virtuais, os alunos são levados a pesquisar e, depois, pelas ferramentas de comunicação, trocam idéias com outros alunos sobre o tema, o que culmina em uma proposta de ações para a sociedade. Para os educadores, a capacidade de comunicação oferecida pela Internet, além do benefício da criação de projetos, deve ser encarada como uma possibilidade de contato com outros profissionais da área, levando a um aprimoramento profissional. A Internet é mais uma ferramenta que deve enriquecer o currículo e o cotidiano escolar e não pode ser vista como um recurso deslocado dessa realidade.
Sendo assim, o que resta ao professor que deseja realizar troca de experiências são conversas rápidas com um colega em seus raros e breves intervalos. Em outras palavras, a instituição escolar, com sua estrutura rígida de horários, tem extrema dificuldade em incentivar que o professor abra a porta da sala de aula para o mundo para o qual está preparando seus alunos.
Se considerarmos que tecnologia é algo que está sempre se renovando, e, no ambiente escolar, é algo muito novo. Novidades não interessam a quem já sabe tudo. Para desbravar algo novo, é preciso pedir ajuda: ao pessoal de suporte em informática da escola, a um amigo, ao filho ou a um colega. Desse modo, o professor que resolve lidar com tecnologia vivencia, na prática, o quanto ele precisa do outro para aprender alguma novidade. Ele pratica ser aprendiz por alguns momentos e percebe a necessidade de perguntar algo ou de buscar informações na rede ou em manuais, compreendendo melhor como seus alunos aprendem. 
Além disso, quando as escolas optam por criar seus sites institucionais, com relatos de experiências bem-sucedidas, informações e serviços para organizar o cotidiano escolar e fóruns para trocas de idéias pertinentes à realidade da sua escola, os professores começam a interagir com pares mais distantes no tempo e no espaço e podem encontrar informações no momento em que elas são necessárias, e não somente no momento das reuniões.  Por fim, criar espaços de comunicação na escola torna os esforços anteriores ainda mais eficazes, uma vez que ampliam a possibilidade de discussão de dúvidas e troca de experiências nas comunidades que já percebem a necessidade disso.

Meios tecnológicos na educação e as experiências práticas

O maior objetivo a se alcançar na escola em sua função de formar leitores críticos seria, em um primeiro passo, provocar e consolidar no aluno o gosto pela leitura para a partir daí gradativamente acrescentar a esse hábito uma crescente consciência da necessidade da leitura. No entanto, a escola por diversos motivos tem falhado na obtenção desse equilíbrio e, conseqüentemente, na formação de verdadeiros leitores.
As Tecnologias estão presentes em todos os momentos e aspectos de nossa vida na atualidade. A educação, em todos os seus níveis e modalidades, também está inevitavelmente envolvida com todo o processo de mudança que vem ocorrendo desde a segunda metade do século XX, a chamada revolução tecnológica. Essa realidade, muitas vezes extrapola o controle e as ações didáticas planejadas pelo professor, e impõe a todos os que atuam no processo educativo a necessidade de desenvolver uma nova capacidade, a leitura crítica das tecnologias disponíveis para a educação. Neste sentido, é fundamental compreender o significado das tecnologias educacionais no contexto da escola e as suas implicações nos processos de ensinar e aprender. A inserção dos meios tecnológicos na educação mostrou-se absolutamente necessária, sendo fundamental a sua utilização no processo educativo.

Ezequiel Theodoro da Silva reafirma a importância da rede mundial de computadores como "veículo de disseminação, socialização e democratização de informações". Valoriza a Internet como instrumento imprescindível no cotidiano de alunos e educadores. "Ao lado das bibliotecas e livrarias, vejo a Internet como uma das melhores companheiras dos professores na atualidade". Ele considera como uma das maiores e melhores fontes de informação do mundo contemporâneo. Além disso, através dos provedores de busca, como uma bibliotecária super atualizada e acionada ao clique do mouse, para buscar milhares de referências para a composição das aulas.
A Internet, além de apresentar um maior e mais efetivo acesso às informações, pode interferir na forma como essas informações serão utilizadas na aprendizagem de conteúdos significativos. Nesses novos meios, as mensagens veiculadas devido às suas características de fluidez, numeralização, plasticidade e instantaneidade são mais facilmente suscetíveis às interferências dos receptores que podem contribuir diretamente na sua construção e se tornarem também autores-produtores do conhecimento, ou, dito de outra forma, sujeitos da comunicação e do processo cognitivo”.
O primeiro passo para entendermos o que é pedagogia inclui uma revisão terminológica. Precisamos localizar o termo pedagogia, e ver o que cai sobre sua delimitação e o que escapa de sua competência. Para tal, a melhor maneira de agir é comparar o termo pedagogia com outros três termos que, em geral, são tomados, como seus sinônimos: “filosofia da educação”, “didática” e “educação”.
O termo educação, ou seja, a palavra que usamos para fazer referência ao ato educativo, nada mais designa do que a prática social que identificamos como uma situação temporal e espacial determinada na qual ocorre a relação ensino-aprendizagem, formal ou informal.
A relação ensino-aprendizagem é guiada, sempre, por alguma teoria, mas nem sempre tal teoria pode ser explicitada em todo o seu conjunto e detalhes pelos quais participam de tal relação, o professor e o estudante, o educador e o educando, da mesma forma que poderia fazer um terceiro elemento, o observador, então munido de uma ou mais teorias a respeito das teorias educacionais. A educação, uma vez que é a prática social da relação ensino-aprendizagem no tempo e no espaço, acaba em um ato e nunca mais se repete. Nem mesmo os mesmos participantes podem repeti-la. É um fenômeno de comunicação que se encerra em seu desdobrar. No caso, se falamos de um encontro entre o professor e o estudante, falamos de um fenômeno educacional, que é único.
A razão técnica ou instrumental é aquela que faz a melhor adequação entre os meios e os fins escolhidos. A didática é uma expressão pedagógica da razão instrumental. Sua utilidade é imensa, pois sem ela nossos meios escolhidos poderiam, simplesmente, não serem os melhores disponíveis para o que se ensina e se aprende e, então, estaríamos fazendo da educação não a melhor educação possível.
Entender a que Educação e Comunicação sejam indispensáveis aos professores e aos comunicadores, acredito que haja especificidades marcantes na comunicação que ocorre no processo de ensino, permeado ou não de tecnologias da comunicação. A comunicação ocorrente no processo de ensino, além das proximidades que possui com a comunicação proporcionada pelos meios, detém uma especificidade tal que faz com que, possivelmente, a prática pedagógica comunicativa possa se converter no objeto de estudo advindo da relação Pedagogia e Comunicação.
A Pedagogia é área do conhecimento que investiga a prática educativa e os aportes teóricos das demais ciências auxiliares da educação. O fenômeno educativo, por requerer abordagem pluridisciplinar, tem a Pedagogia como à ciência que assegurará o enfoque globalizante, que dará unidade às contribuições das demais ciências da educação e para que os alunos tornem-se atualizados no mundo informatizado.
 A Pedagogia é a teoria e a prática da educação. A Pedagogia intervém na prática educativa dando-lhe uma orientação de sentido e criando condições organizativas e metodológicas para sua viabilização, definindo seu traço mais característico: a intencionalidade. A intencionalidade implica perguntas como, quem, e por que se educa,para que objetivos se educa e quais os meios adequados para se educar. Libâneo (1996) 
Considero fértil a aproximação epistemológica entre a Educação e a Comunicação, não apenas porque o processo educativo é uma das ações mais remotas do ser humano e sempre esteve contaminado de comunicação, mas também porque atualmente, com o desenvolvimento acelerado da tecnologia e dos meios de informação, mais do que nunca esta aproximação deve se refinar no sentido de proporcionar uma vida mais solidária, coletiva e prazerosa aos homens e às mulheres, adultos e crianças, professores e alunos, dirigentes e dirigidos.

BIBLIOGRAFIA

(AMARAL, Sérgio Ferreira de. As novas tecnologias e as mudanças nos padrões de percepção da realidade. In: SILVA, Ezequiel Theodoro da (coord) et al. A leitura nos oceanos da Internet.  São Paulo: Cortez, 2003.)

Orientações para o Bom Desenvolvimento da Fala e da Linguagem

ORIENTAÇÕES PARA O BOM DESENVOLVIMENTO DA FALA

E DA LINGUAGEM

Para que a criança possa se desenvolver adequadamente no que se refere à aquisição normal de fala, é importante que os adultos que a rodeiam tomem alguns cuidados:

- Não imite o falar “errado” da criança, nem peça para repetir a palavra por achá-la “bonita” ou “engraçada”, pois o adulto é o modelo que ela seguirá para se corrigir, e a repetição fixará o padrão incorreto;

- Quando a criança cometer um erro articulatório, dê a ela o padrão correto sem repetir o erro, porém não a corrija excessivamente;

  - Não exija da criança uma produção além da esperada para sua idade, respeite a ordem da aquisição fonêmica;

   - Observe se a fala da criança é inteligível e encontra-se dentro do padrão esperado para a idade;

  - Propicie o desenvolvimento da fala, deixando que a criança expresse oralmente o que deseja, não a atendendo imediatamente após uma solicitação gestual;

- Não use palavras no diminutivo, pois, por serem semelhantes (terminam com “inho”), dificultam sua memorização;

   - Proporcione momentos em que a criança fale, cante e conte estórias;

 - Fale com ela calmamente e articulando bem as palavras;

 - Estimule a intenção comunicativa perguntando à criança o que aprendeu na escola, o que fez quando saiu para passear, sobre o que era o filme ou livro de histórias que leu;

-  Dê tempo para q criança responder;

    - Não termine a frase para a criança: tenha paciência;

   -  Dê nome e função aos objetos que estão à vista;

-   Não force a criança a falar na frente de outras pessoas;

-  Mostre interesse e prazer ao escutá-la;

-   Demonstre que aprecia suas qualidades e respeite seus limites;

-    Não deixe a criança perceber que você está preocupado com a fala dela;


Todos nós sabemos que ao aprender a falar, a criança cometerá erros de pronúncia e articulação, pois dessa forma vai se aprimorando até chegar ao modelo adulto de fala. Além do mais, a articulação correta das palavras depende do desenvolvimento e coordenação de lábios, língua, dentes, bochechas e da respiração.

Devemos nos preocupar quando:

- O padrão articulatório apresentado pela criança não corresponde à sua idade cronológica;

  -   A fala apresenta-se ininteligível devido a trocas, omissões, distorções;

-    A criança possui pequenas trocas, porém que lhe causam grande incômodo;

- Por problemas orgânicos como má-oclusão dentária, há alteração do padrão articulatório.

Alfabetização e Letramento

Alfabetização – Letramento


As crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização.
Apesar de a criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe ao professor, organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita.

Processo da leitura e da escrita: Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico da Psicogênese da Língua Escrita, pois toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:

Pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
Silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra;
Silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
Alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

O fácil e o difícil - Para melhor exemplificar sua proposta de mudança conceitual da prática pedagógica, Emilia Ferreiro lembrou como a escola tradicional concebe a língua escrita: “Na escola tradicional, o sujeito que aprende praticamente desaparece, porque o reduzem a um conjunto de habilidades. Habilidades perceptivas, motrizes, perceptiva-motriz, de discriminação perceptiva, auditiva e visual. É a cópia de um modelo dado, uma cópia na qual é proibida qualquer distorção. O objeto da língua escrita se apresenta de tal maneira que a criança o percebe como algo imutável, que deve ser apenas recebido, nunca transformado. Por isso é que se exige da criança uma atitude de respeito cego. A lição tradicional é dada elemento por elemento, supondo que a soma linear dos elementos leve à totalidade. Assim se avança, letra por letra, sílaba por sílaba, palavra por palavra, imaginando-se que basta juntar mais letras, sílabas ou palavras às precedentes. Nesta concepção, o fácil e o difícil são "determinados” de fora: o que ao adulto já alfabetizado parece fácil ou difícil, sem suspeitar sequer que a definição de fácil e difícil também pode ser dada pela criança. E nem sempre o que parece fácil ao sujeito já alfabetizado é fácil para quem não está alfabetizado. Todos nós tivemos esta visão alguma vez, mas já não somos capazes de recuperá-la".
Com base em suas pesquisas e nas contribuições de investigadores de várias partes do mundo, Emilia Ferreiro conclamou os educadores da América Latina a se integrarem numa cruzada pela mudança desta visão de alfabetização: "É possível fazer uma mudança muito profunda, uma mudança que é uma revolução conceitual. Não se trata de acrescentar novas atividades, novos livros ou novas propostas às velhas, mas sim de uma mudança total na concepção do objetivo da aprendizagem, do processo da aprendizagem, do sujeito que aprende e, forçosamente, também do professor".
Preocupada com o impacto de suas idéias na ação dos alfabetizadores habituados com métodos tradicionais, Emilia Ferreiro esclareceu: "Não se trata, de modo algum, de dizer que as crianças se alfabetizam sozinhas. Trata-se, isto sim, de compreender o processo que elas estão vivendo, a cada momento, para poder intervir mais eficazmente, ajudando para que o diálogo entre professor e aluno não seja destruído. A partir do conhecimento de uma série de fatos que estão vinculados à evolução psicológica, é preciso pensar em outros termos na intervenção pedagógica e em todas as coisas que estão em redor desta intervenção".
Entre as intervenções pedagógicas que devem ser reavaliadas, Emilia Ferreiro citou o uso de cartilhas, os modos de avaliação e promoção de alunos e, especialmente, os testes de prontidão e provas de avaliação posteriores. Para ela, o importante é compreender o desenvolvimento das idéias da criança sobre a escrita como um processo evolutivo: "Na lição tradicional, a criança sabe ou não sabe, pode ou não pode, se equivoca ou acerta. Isto torna muito difícil compreender que a criança está apresentando uma evolução e que certas coisas são normais dentro da evolução, ainda que ela cometa erros em relação à escrita adulta. O professor deve sempre interpretar a produção gráfica das crianças de maneira positiva".
Para fundamentar o que dizia, Emilia Ferreiro expôs, durante o encontro com os professores, desenhos e garatujas infantis, aparentemente sem grande significado. E explicou: "Quando uma professora aprende a interpretar estas produções, aprende também a respeitar este produtor. Aprende a respeitar esta criança que lhe está mostrando, através destas produções, os esforços que está fazendo para compreender o sistema alfabético da escrita. E que, na verdade, não tem nada de simples, nem de evidente".
O caminho da alfabetização, segundo Emilia Ferreiro, passa necessariamente por etapas em que a criança constrói o seu conhecimento, independentemente da camada social a que pertença. As etapas são iguais, podendo variar apenas de acordo com a idade da criança, nunca de sua condição social. "As crianças que estão crescendo em ambiente onde a língua escrita existe - onde se lê e se escreve não apenas como atos muito especiais, mas como parte da vida diária -, onde são estimuladas a manusear livros, onde se permite a elas escrever e desenhar. Estas crianças adquirem muitas informações sobre a língua escrita. Geralmente faz por conta própria uma boa parte do caminho da alfabetização. Se, ao contrário, a criança não tem contato com a língua escrita, se em redor dela não há pessoas que possam ler e escrever, é muito difícil que chegue à escola sabendo o que quer dizer LER e entendendo o que quer dizer ESCREVER”.
Uma das principais recomendações aos alfabetizadores é que nunca desprezem a bagagem de conhecimentos sobre a escrita que a maioria das crianças leva para a escola: "O que sabemos é que nenhuma criança urbana chega totalmente ignorante à escola primária. Nós, adultos, é que temos a tendência bem marcada de confundir os saberes diferentes dos nossos alunos pobres com ignorância. Por isso, os discriminamos e rechaçamos. Sabemos também que a possibilidade de uma criança conseguir alfabetizar-se em um ano escolar, que é muito pouco tempo, depende do seu nível de contextualização. Como a escola não faz avaliações do nível inicial, não se dá conta de que algumas crianças chegam sabendo mais do que outras. E quando digo avaliação não estou pensando em prova específica, mas simplesmente em atividades que permitam ao professor ver o que a criança pode fazer".
A proposta de Emilia é que os professores, sem qualquer prova inicial de avaliação, criem espaços para que as crianças possam produzir e lhes mostrar o que compreendem sobre a escrita: "Uma das coisas mais reprimidas na escola tradicional tem sido a escrita. Uma das coisas mais proibidas é a escrita espontânea. A escola fala em texto livre, mas proíbe textos livres como representação da escrita da melhor maneira que o sujeito é capaz de conseguir em cada momento de sua evolução".
 O estímulo aos estereótipos não se limita ao início da vida escolar, como afirmou Emilia Ferreiro: "Tampouco se permite às crianças produzirem textos livres quando já sabem reproduzir convencionalmente as palavras, porque aí começa a funcionar o estereótipo sobre o que é uma produção aceitável, como também começa a funcionar este enorme medo ante o erro ortográfico". As descobertas sobre a evolução indicam que as crianças vão resolvendo seus problemas numa ordem muito específica: O primeiro problema que resolvem é a distinção entre o que é desenho e o que é escrita. O segundo é a descoberta de que não é suficiente escrever letras para que algo possa ser lido. Até crianças de 4 ou 5 anos dizem que não há nada escrito quando a mesma letra se repete muito. O problema seguinte que resolvem é como fazer para criar representações diferentes para unidades lingüísticas diferentes. Depois, resolvem a correspondência entre pedaços de linguagem e entre pedaços de escritas. Em seguida, descobrem os princípios fundamentais de um sistema alfabético de escrita: atenção preferencial às diferenças sonoras. Nesse momento, ela deixa de lado as diferenças de significado, reconhecendo que quando há semelhanças sonoras deve-se pôr as mesmas letras e quando há diferenças deve-se pôr diferentes letras. O problema ortográfico vem depois, detalhou a pesquisadora.
A escrita é importante na escola porque é importante fora dela, e não o inverso. E que a correção ortográfica deve ser feita com o maior cuidado: "Uma das coisas que sabemos hoje em dia com a maior clareza é que a correção ortográfica fora de tempo pode inibir a língua escrita. Eu não estou dizendo que a escola deva ignorar o erro ortográfico, apenas que deve saber qual o momento certo para fazê-lo, sem criar inibições. Porque eu me nego a chamar de alfabetizada uma criança que produz apenas estereótipos, ainda que seu texto não tenha erros ortográficos".
Uma proposta pedagógica do tipo construtivista como capaz de proporcionar às crianças que se expressem livremente, com criatividade, mesmo quando o texto produzido apresenta muitos erros de ortografia. "A correção sobre a ortografia não se deve confundir com a avaliação da língua escrita que está por trás", alertou Emilia, concluindo: "Temos que alfabetizar para dar ao homem do povo sua palavra, para que ele possa escrevê-la, para ajudá-lo a não destruir seu discurso em troca de um discurso escolar estereotipado. Também para que escreva de maneira ortograficamente correta, mas que esta ortografia não limite, não destrua, nem mate a língua escrita que ele pode produzir".

Letramento é o resultado da ação de ensinar a ler e escrever. É o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita. Surge, então, um novo sentido para o adjetivo letrado, que significava apenas “que, ou o que é versado em letras ou literatura; literato”, e que agora passa a caracterizar o indivíduo que domina a leitura, ou seja, que não só sabe ler e escrever (atributo daquele que é alfabetizado), mas também faz uso competente e freqüente da leitura e da escrita. Fala-se no letramento como ampliação do sentido de alfabetização.
O nível de letramento é determinado pela variedade de gêneros de textos escritos que a criança ou adulto reconhece. Segundo essa corrente, a criança que vive em um ambiente em que se lêem livros, jornais, revistas, bulas de remédios, receitas culinárias e outros tipos de literatura (ou em que se conversa sobre o que se leu, em que uns lêem para os outros em voz alta, lêem para a criança enriquecendo com gestos e ilustrações), o nível de letramento será superior ao de uma criança cujos pais não são alfabetizados, nem outras pessoas de seu convívio cotidiano lhe favoreçam este contato com o mundo letrado.

Estudiosos afirmam que são muitos os fatores que interferem na aprendizagem da língua escrita, porém estudos recentes incluem entre estes fatores o nível de letramento. Paulo Freire afirma que "na verdade, o domínio sobre os signos lingüísticos escritos, mesmo pela criança que se alfabetiza, pressupõe uma experiência social que o precede – a da 'leitura' do mundo, que aqui chamamos de letramento.

Belo Horizonte 09 de fevereiro de 2010

Adriana Márcia Carvalho Araújo

O diferencial do Berçário no Barquinho Amarelo



BERÇÁRIO
Centro de Educação Infantil O Barquinho Amarelo

Imprescindível braço de apoio para as famílias, os berçários vêm ganhando cada vez maior importância no mundo da puericultura e da Educação. Não por acaso: os conhecimentos científicos demonstram que os primeiros anos da vida do bebê são muito importantes para o futuro desenvolvimento de suas emoções, da inteligência e da capacidade motora.
O Berçário, integrado ao projeto pedagógico do Centro de Educação Infantil O Barquinho Amarelo, tem por objetivo unir educação, puericultura e um apurado grau de eficiência administrativa – imprescindível para garantir o bom atendimento às necessidades individuais dos bebês. Tudo sem perder características essenciais para a criança: a confiança, a afetividade e o calor humano.
Alimentação, estimulação sensório-motora, segurança, laços afetivos, estímulos específicos, como a musicalização, higiene – o trabalho do berçário abrange todos os principais aspectos do desenvolvimento do bebê. Não é possível existir um berçário sem uma direção que acompanhe todas as mil faces do trabalho de atendimento e estimulação das crianças.
Ao contrário do que muitos imaginam, a estimulação dos bebês vai muito além de mordedores e chocalhos. É fundamental que, nos primeiros meses de vida, os bebês sejam estimulados com mecanismos de repetição, de imitação e da exploração sensorial. Isso se dá por meio de atividades que instigam a concentração, percepção e comunicação.
Confira algumas de nossas atividades:

Lanterna - Usando a lanterna, pode-se explorar a coordenação visual e espacial, em que o bebê terá que acompanhar com os olhos o espaço por onde o ponto luminoso irá passar. O bebê tenta “pegar” o ponto de luz, o que possibilita também o trabalho de coordenação visual e motora.

Fantoche – A linguagem é o fator de maior importância nesta atividade, que possibilita uma relação extrapessoal com quem está brincando com o fantoche.

Cobertor – O “arrastar” sobre o cobertor possibilita o ajustamento do corpo na posição sentada, pois, quando o cobertor é puxado, o bebê contrai a musculatura necessária para manter-se em equilíbrio.

Bebê Rolando – Rolar é a primeira forma de deslocamento global do bebê, movimento que requer a integração da musculatura dos dois lados do corpo.

Andando com brinquedo – A atividade de locomoção com apoio tem como objetivo tonificar a musculatura relacionada à posição em pé. O deslocamento contribui para o equilíbrio postural.
Com a atividade, desenvolve-se também a noção visual e espacial, pois o bebê tem que observar para onde ele pode empurrar o brinquedo para poder deslocar-se.

Encaixe – As atividades de encaixe proporcionam ao bebê o desenvolvimento da coordenação visual e motora, em que ele irá experimentar a solução de problemas, pois os encaixes possuem alternativas restritas.

Potes – Os potes nos permitem, de forma divertida, trabalhar a noção de “dentro e fora”.
Empilhar – Nas atividades de empilhar trabalha-se a coordenação visual e motora e a noção espacial.

Chapéu – A atividade do chapéu trabalha a possibilidade de relacionar-se com o outro, além de proporcionar o conhecimento do corpo e a sua observação no espelho.

Partes do corpo – Trabalhar com as partes do corpo permite o auto conhecimento pelo sentido cinestésico, onde o bebê toca a parte do corpo solicitada, respeitando a lei “céfalo caudal” e “próximo distal”.

Túnel – O uso do túnel favorece o deslocamento engatinhando (4 apoios), o que possibilita tonificar a musculatura de braços, pernas e tronco.
O aspecto visual e espacial também é trabalhado nesta atividade, pois os bebês podem encontrar saídas e possibilidades de ficarem em pé dentro do túnel.

TV – Assistir TV, desde que mediado, por um adulto, favorece ampliação da linguagem e de conhecimento.

Bolas na banheira – Trabalha-se o desenvolvimento da coordenação visual e motora, pois, para apanhar a bolinha dentro da água, o bebê necessita adequar o movimento a cada instante, uma vez que as bolas mexem-se constantemente.

Espelho – Vendo-se no espelho, a criança constrói seu esquema corporal, usando sua própria referência.

Histórias – Ler histórias possibilita trabalhar com a forma mais simples e eficiente de transmitir conhecimento.

Rolo – O rolo possibilita a tonificação da musculatura dos braços e da musculatura dorsal do bebê, a fim de prepará-lo para o sentar.

Bola Grande – A Bola  possibilita o fortalecimento da musculatura dorsal e abdominal. Quando o bebê está sobre a bola, busca estabilidade e precisa ajustar-se a cada instante. Estes “ajustamentos” possibilitam a busca pelo equilíbrio corporal.

Esconde-esconde – Com o “esconde-esconde”, desenvolve-se o aprendizado de causa e efeito, pois o bebê tem que puxar o lenço para descobrir onde está o brinquedo que estava sendo usado por ele.

Bolha de sabão – A brincadeira possibilita a coordenação visual e motora, pois o jogo olho/mão é o ponto mais explorado nessa atividade. O bebê terá que se adaptar a cada momento para apanhar as bolhas de sabão.
Gelatina – Tentando pegar os cubos de gelatina o bebê experimenta sensações como consistência e temperatura

Macarrão – Pegar fios de espaguete exige o movimento de pinça, tão importante nessa fase do desenvolvimento.

Tempo de crescimento: o papel da estimulação


Em nenhum outro período de sua existência os seres humanos experimentam um desenvolvimento tão intenso como nos primeiros anos de vida. Basta ver o salto que ocorre de 0 a 1 ano, quando os bebês começam a dar seus passos iniciais.  Por isso, é importante não perder nenhuma oportunidade para participar desse crescimento, criando situações propícias e promovendo a estimulação.
Eles têm necessidades específicas e características próprias que devem ser consideradas. As atividades desenvolvidas no Berçário do Barquinho Amarelo buscam "aproveitar" um período privilegiado, quando as crianças têm seu momento de maior desenvolvimento.
No entanto, estimular bebês não é como ensinar crianças maiores. Os bebês aprendem de um modo muito diverso, principalmente pelos mecanismos da repetição, da imitação e da exploração sensorial, por meio do brincar.
Exatamente por isso, os bebês podem atender a longos períodos de concentração desde que estejam envolvidos em algo de seu interesse.
Os bebês crescem fisicamente, praticando exercícios motores; perceptivamente, desenvolvendo o pensamentos e o conhecimento na solução de problemas; verbalmente, adquirindo comunicação receptiva e expressiva; psicologicamente, descobrindo sua própria identidade; socialmente, aprendendo a conviver com "amigos".
Daí a importância do trabalho realizado no berçário. Nessa fase, é especialmente oportuno que os pais acompanhem o trabalho realizado pela escola, para que compreendam a extensão das atividades propostas. Afinal, é tempo de crescimento...
Bebês adoram novidades!
Gostam de tocar, apertar e comer coisas com texturas diferentes.
Ao mexer no espaguete quente e segurar a gelatina gelada, desenvolvem a coordenação motora, trabalhando o movimento de pinça, explorando, ao mesmo tempo, seus sentidos.
Crianças aprendem melhor quando fazem coisas!
Trabalhar com material diversificado e grandes folhas de papel com diferentes tamanhos, formatos, texturas e cores fortalece os conhecimentos artísticos das crianças e proporciona oportunidades de expressarem sua criatividade.
O delicioso "passeio de cobertor" desenvolve o equilíbrio e estimula o desejo de explorar novos espaços. Os bebês, enquanto engatinham, exploram diversas possibilidades, enriquecendo seu repertório. Histórias e rimas que contém palavras e frases repetitivas, envolvem os bebês, chamando sua atenção. Recursos auxiliares como fantoches e adereços são especialmente divertidos.
Adriana Márcia Carvalho Araújo
2007

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A Importância da Educação Infantil

A  IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL
O período de 0 a 6 anos é o mais importante na formação da criança. Embora não pareça a muitos adultos, esta é a fase mais decisiva da vida. O tempo todo a criança age, descobrindo, inventando, resistindo, perguntando e socializando.
Considerada como etapa essencial, é ela que dá fundamentos primordiais ao desenvolvimento da criança. Como etapa inicial dentro de dimensão de permanente suporte em todas as etapas da vida do homem, a educação infantil torna-se muito importante para o desenvolvimento coordenado no plano físico, psíquico, cognitivo e social da criança.
O potencial que a criança traz ao nascer, num processo interativo com as condições oferecidas pelo meio ambiente, irá encaminhar o seu grau de desenvolvimento, sua maneira de sentir, pensar e agir. Sem saúde, alimentação, atenção e estímulo, a criança fica atrasada em seu desenvolvimento.
É neste período que começam a se conhecer e a conhecer o outro, a se respeitar e a respeitar o outro, e a desenvolver suas habilidades e construir conhecimento.
A Educação Infantil oportuniza situações em que a criança “amplia os seus conhecimentos, desenvolve a experiência e a consciência da própria capacidade de aprender, o gosto pela investigação e pela descoberta, a própria capacidade de escolha, o espírito crítico, o pensamento, a expressão pessoal e grupal através das mais variadas formas, registrando-se inclusive sua introdução no processo de descoberta e utilização da linguagem escrita.”
A criança é o centro do processo educativo, mas o professor “exerce um papel essencial como definidor da intencionalidade educativa e da caracterização da atividade pedagógica”.
Educação Infantil enquanto fase inicial da educação formal tem o poder de despertar na criança o gosto pela leitura, escrita e matemática entre muitos outros. Isso vai depender da forma como essa criança é estimulada e incentivada.
Portanto, os professores de educação infantil junto com a família devem ter o conhecimento da realidade social em que vivem as crianças.
Adriana Márcia

Dislalia - Troca de Letras na Fala

Adriana Márcia Carvalho Araújo
Professora do Centro de Educação Infantil
O Barquinho Amarelo
Turma 1º Período

Dislalia – Troca de Letras na Fala

Falar e escrever são duas habilidades complexas no âmbito das habilidades lingüísticas. Expressar-se verbalmente, oral ou escrito, é habilidade que não nasce com o ser humano.  A escola é, no âmbito das instituições sociais, a escolhida pela sociedade para o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita, fala e escuta.
A fala, porém, deveria ser para a escola, a habilidade inicial, básica, ponto de partida, para um trabalho mais acurado na formação lingüística das crianças.
A escola, todavia, tem tomado a fala espontânea, particularmente a que resulta da variação popular, como expressão errada, o que configura o chamado preconceito lingüístico.
Os pais e educadores ou todos aqueles profissionais que operam com diagnóstico e intervenção psicolingüísticas devem ficar atentos para a idade de aquisição da linguagem.
A dislalia é um distúrbio da fala que se caracteriza pela dificuldade de articulação de palavras: o portador da dislalia pronuncia determinadas palavras de maneira errada, omitindo, trocando, transpondo, distorcendo ou acrescentando fonemas ou sílabas a elas.
A dislalia também pode interferir no aprendizado da escrita tal como ocorre com a fala. A maioria dos casos de dislalia ocorre na primeira infância, quando a criança está aprendendo a falar. As principais causas, nestes casos, decorrem de fatores emocionais, como, por exemplo, ciúme de um irmão mais novo que nasceu, separação dos pais ou convivência com pessoas que apresentam esse problema (babás, por exemplo, que dizem “pobrema”), e a criança acaba assimilando essa deficiência. Ou seja, elas repetem o que escutam.
Quando uma criança menor de 4 anos apresenta erros na pronúncia, é considerado como normal, uma etapa no desenvolvimento da linguagem infantil. Nessa etapa, não se aplica tratamentos, já que sua fala está em fase de maturação. No entanto, se os erros na fala se mantém depois dos 4 anos, deve-se consultar um especialista em audição e linguagem, um fonoaudiólogo, por exemplo.
A dislalia é muito variada. Existem dislalias orgânicas, audiógenas, ou funcionais.
A dislalia funcional é a mais frequente e se caracteriza incorretamente o ponto e modo de articulação do fonema.
A dislalia orgânica faz com que a criança tenha dificuldades para articular determinados fonemas por problemas orgânicos. Quando apresentam alterações nos neurônios cerebrais, ou alguma má formação ou anomalias nos órgãos da fala.
A dislalia audiógena se caracteriza por dificuldades por problemas auditivos. A criança se sente incapaz de pronunciar corretamente os fonemas porque não ouvem bem. Em alguns casos, é necessário que as crianças utilizem próteses.
Uma recomendação fundamental para impedir o desenvolvimento da dislalia é para que os pais e familiares do dislálico não fiquem achando engraçadinho quando a criança pronuncia palavras de maneira errada, como “Tota-Tola”, ao invés de “Coca-Cola”.
As trocas de letras mais comuns provocadas pela dislalia são de "P" por "B", "F" por "V", "T" por "D", "R" por "L", "F" por "S", "J" por "Z" e "X" por "S". A troca de fonemas, como p/b, p/q, f/v, entre tantas unidades sonoras e distintivas do sistema consonantal do português, por exemplo, nessa fase, reflete, muitas vezes, uma deficiência de ordem lingüística (e não um déficit necessariamente neurolíngüístico), na formação lingüística inicial (alfabetização e letramento) da criança
Uma outra orientação importante que aos pais e professores é no sentido de eles próprios corrigirem os erros que seus filhos e alunos apresentem, já que o fundamental é não deixar que o mau hábito se instale. Na maioria das vezes, esse caso pode ser corrigido em casa mesmo ou na escola, através de repetição constante.
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Recadinho para os Professores:
-Repetir somente a palavra correta para que a criança não fixe a forma errada que acabou de pronunciar.
- É importante que o professor articule bem as palavras, fazendo com que as crianças percebam claramente todos os fonemas.
- Assim que perceber alterações na fala de um aluno, o professor deve evitar criar constrangimentos em sala de aula ou chamar a atenção para o fato. O recomendável é que não se espere muito tempo para avisar a família e procurar um fonoaudiólogo.
- Uma criança que falta às aulas regularmente por problemas de audição, como otites freqüentes, requer maior atenção.
- Os professores devem ser bem -orientados em relação a estes fatores e , para isto, é preciso que haja interação entre eles e os fonoaudiólogos.
- O ato da fala é um ato motor elaborado e, portanto, os professores devem trocar informações com os educadores esportivos e professores de Educação Física, Judô e Capoeira, etc. que normalmente observam o desenvolvimento psicomotor das crianças.
- O ideal é que a criança faça uma avaliação fonoaudiológica antes de iniciar a alfabetização, além de exames auditivos e oftalmológicos.
A terapia fonoaudiológica é recomendável quando o desvio persiste e está muito fora do padrão lingüístico. No tratamento não se realizam somente exercícios articulatórios, mas também a interação da criança com a linguagem, através de cantigas, jogos de rima, brincadeiras lúdicas e educativas. O objetivo principal é que o pequeno paciente tenha a consciência fonológica e a organização vocabular



 Referência Bibliográfica:
- SIMON, Wajtraub. Desbloqueando a fala e a inibição, O Método do Instituto de Oratória e Fonoaudiologia para Tratamento da Dislalia, 2007, Rio de Janeiro.
- SANCHEZ, Jesus Nicaso García. (1998). Manual de dificuldades de aprendizagem: Linguagem, leitura, escrita e matemática.  Tradução de Jussara Haubert Rodrigues - Porto Alegre: Artes Médicas.
- TEBEROSKY, Ana. Psicopedagogia da linguagem escrita. Tradução de Beatriz Cardoso. 8a. edição. Campinas, SP: UNICAMP/Vozes, 1996